Dra. Jucinéia Oliveira

Diabetes

DIABETES TIPO 1

O diabetes tipo 1 é uma forma acentuada de diabetes, mais comum em crianças e adolescentes, mas pode também ocorrer em adultos. Afeta mais indivíduos do hemisfério norte do que do sul. Corresponde a 5% a 10% dos casos.

Este tipo de diabetes resulta da destruição das células beta pancreáticas pelo sistema imune, e a insulina passa a estar praticamente ausente. Como a insulina é o hormônio responsável por colocar a glicose para dentro da célula e gerar seu aproveitamento, o indivíduo sem tratamento entra em um estado catabólico, pois não absorve adequadamente os nutrientes. Esta deficiência de insulina pode ocorrer de forma intensa e rápida, ou um pouco mais arrastada, e o quadro clínico irá depender de como o diabetes se instalou.

Sintomas do diabetes tipo 1

DiabetesA deficiência absoluta de insulina resulta na elevação de glicose no sangue que, basicamente, vai ocasionar perda de glicose e eletrólitos na urina. Essa perda de glicose na urina gera um aumento na vontade de urinar, chamando a atenção principalmente em crianças, com sintomas de aumento exagerado de micção noturna. Com a glicose sanguínea alta e o excesso de água perdido através da urina, há aumento da sede.
Como resposta ao não-aproveitamento da glicose no sangue, o diabético começa a emagrecer, apesar de, inicialmente, ter apetite normal. A princípio, a perda de peso é devido à perda de àgua, glicose e triglicerídeos, mas com a evolução, o emagrecimento se dá também pela perda de massa muscular.
Esse processo gera fraqueza, tonteira, visão turva e hipotensão postural (queda de pressão ao se levantar). Quando a deficiência insulínica ocorre de forma intensa e rápida, os sintomas progridem aceleradamente levando a um quadro grave chamado cetoacidose diabética. Esse quadro é caracterizado por náuseas, vômitos, desidratação intensa, perda completa do apetite. Se não diagnosticado a tempo e tratado corretamente, pode evoluir para um colapso orgânico, com perda da consciência, distúrbio respiratório, comprometimento cardiovascular, coma e até morte.

Como é feito o tratamento do diabetes tipo 1?

Iniciamente, o paciente deverá ser compensado de todos os distúrbios metabólicos gerados pela deficiência da insulina.
O tratamento consiste na terapia de reposição diária com insulina exógena, uma vez que o organismo não produz mais insulina. O acompanhamento deverá ser individualizado, pois a dose irá depender do nível de glicose no sangue de cada paciente. A dieta também necessita de um cuidado especial e adequação ao uso da insulina.

 

DIABETES TIPO 2

O diabetes tipo 2 acomete mais frequentemente indivíduos acima de 40 anos e é responsável por mais de 85% dos casos de diabetes. Geralmente ocorre em pacientes com sobrepeso, obesos ou até magros pela classificação de IMC (índice de massa corporal), mas com acúmulo de gordura na região abdominal. Em 85 a 90% dos casos, o paciente com diabetes tipo 2 tem resistência insulínica.

Como é a evolução para o diabetes tipo 2?

A resistência insulínica pode ser considerada a principal desencadeadora do diabetes tipo 2, pois ocorre em lugares que levam ao aumento de glicose. No fígado, ela provoca uma produção exagerada de glicose, mesmo sem o alimento. Já no músculo, ela causa uma captação deficiente da glicose, mesmo após uma refeição rica em açúcares.

DiabetesEste processo é evolutivo, pois as células beta pancreáticas tentam compensar esta resistência, produzindo mais insulina, e mantendo a glicemia normal. No entanto, com o tempo, as células beta pancreáticas são danificadas pelo trabalho excessivo e começam a falhar. Neste momento, a glicemia começa a subir, levando a uma fase inicial, chamada tolerância diminuída ao açúcar. Com a evolução do quadro, a glicemia se eleva ainda mais. Consequentemente, surge o diabetes tipo 2.

Portanto, ter uma glicemia normal não significa que este processo não esteja acontecendo. Existem muitos passos até o desencadeamento do diabetes, daí, a necessidade de informação e orientação à população em geral. Essas etapas podem ser interrompidas no momento certo, com apenas mudanças de estilo de vida.

Na ocasião do diagnóstico do diabetes, a função da célula beta pancreática já está reduzida em 50% e, com a evolução da doença, esta função vai se reduzindo ainda mais.

Quando se preocupar com o risco de diabetes?

· Excesso de peso
· Aumento da circunferência abdominal
· Pacientes com parentes de primeiro grau com diabetes tipo 2
· História de diabetes gestacional
· Diagnóstico prévio de glicemias de jejum alteradas ou de tolerância diminuída ao açúcar.
· Sedentarismo
· Hipertensão, dislipidemia (colesterol e triglicerídeos aumentados)

Quais os sintomas do diabetes tipo 2?

Muitas vezes, os sintomas do diabetes tipo 2, principalmente na fase inicial, podem estar ausentes. Por isso, pacientes com risco aumentado, necessitam de atenção.
A glicose muito alta provoca sintomas que permitem o reconhecimento clínico da doença. Muita sede, muita fome, excesso de vontade de urinar, perda de peso inexplicada, visão turva, maior predisposição a infecções (por exemplo, candidíases).
Em algumas situações, o diagnóstico de diabetes acaba sendo realizado já com muitos anos de início da doença, com o quadro avançado, e apresentando suas complicações crônicas, com comprometimento de olhos, nervos, rins, além de coração e sistema circulatório.

Como fazer o diagnóstico?

O método mais simples para o diagnóstico do diabetes é a dosagem da glicemia de jejum. São consideradas normais glicemias de jejum de até 99mg/dl. Glicemias de 100 a 125 mg/dl são consideradas alteradas (tolerância diminuída ao açúcar) e glicemias a partir de 126 mg/dl indicam diabetes.
Em algumas situações, é indicado o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG). Neste teste, duas horas após a ingestão de 75g de dextrosol, se encontrarmos uma glicemia acima de 200 mg/dl também faz o diagnóstico de diabetes. Glicemias entre 140 e 200mg/dl mostram risco aumentado para diabetes e abaixo de 140mg/dl é considerado normal.
A hemoglobina glicosilada pode ser utilizada, além do acompanhamento de diabetes, também para seu diagnóstico. Valores de 5,7 a 6,4% mostram risco aumentado para diabetes e valores de 6,5% ou acima, também contribui para a realização do diagnóstico de diabetes.

Como planejar o tratamento?

Após o estabelecimento do diagnóstico do diabetes, é necessário a avaliação da etapa evolutiva em que se encontra a doença, para a partir daí, selecionar a melhor medicação a ser instituída. A mudança de estilo de vida, gerada por uma nova mentalidade (alimentação saudável e atividade física regular) com a manutenção de um peso saudável, é de fundamental importância.

Diabetes Gestacional

A gestação é um período de muitas mudanças hormonais, que também podem gerar resistência insulínica, ou seja, não deixar que a insulina exerça sua função de forma adequada, que é colocar a glicose para dentro da célula. Sendo assim, caso o organismo não compense esta disfunção poderá desencadear tolerância diminuída ao açúcar e diabetes. O diabetes gestacional ocorre em torno de 4% das mulheres.

Fatores de risco para desenvolver diabetes gestacional

– Mães com idade avançada.
– Sobrepeso, obesidade ou ganho excessivo de peso durante a gestação.
– Histórico de diabetes gestacional ou de bebês grandes (acima de 4kg) em gestação anterior.
– Parentes de primeiro grau com diabetes.
– Mulheres hipertensas, principalmente durante a gestação.
– Gestação de gêmeos.

Como fazer o diagnóstico?

Diabetes

Recomenda-se que as mulheres sejam avaliadas para o diagnóstico de diabetes gestacional, entre a vigésima quarta e a vigésima oitava semana de gestação. Além da glicemia de jejum, deve ser realizado o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG). Neste teste, após colher a glicose basal, é administrado por via oral, 75g de dextrosol e coletado novas glicemias após 1h e 2h da ingestão. Uma glicose de jejum igual ou maior que 92mg/dl, ou 1 hora, igual ou maior que 180mg/dl e de 2 horas, igual ou maior que 153 mg/dl, fazem o diagnóstico de diabetes gestacional.
Mulheres com risco aumentado devem ser investigadas antes deste período.
A mulher com diabetes gestacional apresenta um risco maior de complicações tais como: maior possibilidade de parto prematuro, aborto espontâneo, risco de recidiva de diabetes gestacional em gestações futuras, maior predisposição de desenvolver diabetes no futuro, risco de pré-eclâmpsia e eclâmpsia.
A criança também corre riscos de ter problemas como: má formação congênita, macrossomia, gerando risco de traumatismo durante o parto pelo aumento do tamanho de feto, e hipoglicemia ao nascimento. Apresenta também maior risco de desenvolver obesidade e diabetes na vida adulta.

Qual o tratamento do diabetes gestacional?

O controle é realizado na maior parte das vezes, através de uma orientação alimentar adequada para a gestação, e a atividade física, também de grande importância, deverá ser recomendada após liberação obstétrica. Quando essas medidas não forem suficientes para um controle glicêmico adequado, o uso de insulina deverá ser associado. Recomenda-se a utilização de insulina, por ser esta a única medicação segura para o bebê.
Após seis semanas do parto, a mulher, já sem o tratamento antidiabético, deverá ser submetida a novo teste oral de tolerância à glicose. Lembrando, que mesmo apresentando o teste normal, terá uma predisposição maior para desenvolver diabetes na vida futura. Por isso, deverá ser sempre acompanhada com mais atenção.

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