Dra. Jucinéia Oliveira

Tireoide

ENTENDA A TIREÓIDE

A glândula tireoide se localiza na região anterior do pescoço e apresenta forma parecida com a de uma borboleta, produzindo os hormônios T3 e T4. Sua função é fundamental na regulação de órgãos importantes de nosso corpo.

Existem fatores predisponentes para alterações em seu funcionamento como: ingestão excessiva de iodeto na forma de algas, uso frequente de xaropes para tosse contendo iodo, medicamentos como carbonato de lítio e amiodarona, história familiar de alterações tireoidianas, distúrbios imunológicos como diabetes tipo 1, doença reumatóide, vitiligo, alopécia e miastenia grave.

Quando a tireoide não funciona de maneira correta, pode desequilibrar o funcionamento do nosso coração, do cérebro e dos rins e ainda causar muitas outras alterações orgânicas, responsáveis por sintomas que comprometem nossa saúde.

Tireoide

O interessante é que apenas uma glândula pode ser afetada por uma série de doenças, dificultando muitas vezes o entendimento por parte do paciente, de qual alteração sua tireoide é acometida.

A tireoide aumentada é denominada bócio. Quando produz hormônios em quantidades insuficientes, causa o hipotireoidismo, e quando produz em excesso, leva ao hipertireoidismo. Pode apresentar inflamação aguda ou crônica, como no caso das tireoidites e ainda desenvolver nódulos em seu parênquima. Esses nódulos, por sua vez, podem evoluir para malignidade.

Fica assim explicada, a dificuldade de entender o que se passa com a nossa tireoide, quando ela apresenta alguma alteração. A seguir, vejamos algumas definições para cada uma das doenças mais comuns da glândula tireoide.

HIPOTIREOIDISMO

O hipotireoidismo é causado pela diminuição da produção dos hormônios tireoidianos, resultando em uma diminuição progressiva e ampla de processos metabólicos do organismo.
Acomete em torno de 2 a 3% da população, principalmente mulheres após os 40 anos. A tireoidite de Hashimoto provavelmente é a causa mais comum de hipotireoidismo.
Os indivíduos com hipotireoidismo podem apresentar variados graus de alterações orgânicas, que vão desde assintomáticos (não sentir nada), diagnosticados através de exames de rotina, até quadros graves, dependendo do nível de alteração hormonal e da duração da doença sem o tratamento adequado.

O diagnóstico pode ser feito através da história clínica, em pacientes que apresentam sintomas que sugerem a doença. Algumas pessoas têm um risco maior para o seu desenvolvimento, como as que foram tratadas para hipertireoidismo com iodo radioativo ou medicação oral, submetidas a retirada da tireoide (tireoidectomia), diagnóstico de tireoidite de Hashimoto ou presença de alta frequência de doenças tireoidianas na família. Esses pacientes devem ter um acompanhamento periódico com o endocrinologista.

Sinais e sintomas do hipotireoidismo:

· Diminuição da memória e dificuldade de concentração
· Cansaço excessivo
· Diminuição da tolerância a atividade física
· Fraqueza muscular, caimbras e dor articular
· Sonolência excessiva
· Pele fria e seca
· Queda de cabelos
· Rouquidão
· Ganho de peso
· Edema facial (principalmente inchaço nos olhos)
· Aumento do colesterol no sangue
· Depressão
· Desaceleração dos batimentos cardíacos
· Anemia
· Constipação
· Menstruação irregular

Diagnóstico e tratamento

A partir da história clínica e dos sintomas apresentados pelo paciente, é indispensável a investigação laboratorial. A principal delas é a dosagem do hormônio estimulador da tireóide (TSH). O diagnóstico do hipotireoidismo, é realizado com a presença do TSH aumentado. Confirmada a doença, inicia-se o tratamento com a reposição do hormônio tireoidiano que está deficiente. Este hormônio, chamado levotiroxina, é encontrado nas farmácias com vários nomes comerciais.
Com o tratamento medicamentoso, os sintomas vão aos poucos se reduzindo, sendo amplamente reversíveis. Na maioria dos casos, o tratamento deve se estender por toda a vida.

HIPERTIREOIDISMO

O hipertireoidismo é caracterizado pelo aumento de função da glândula tireoide, com manifestações clínicas e laboratoriais do excesso de produção dos hormônios circulantes. Assim como no hipotireoidismo, o hipertireoidismo é também mais comum em mulheres do que em homens. A Doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo (60 a 80% dos casos).

Os sintomas do hipertireoidismo são o reflexo da ação das quantidades aumentadas dos hormônios tireoidianos (T3,T4 e T4 Livre). O excesso destes hormônios circulantes acarreta aumento do metabolismo celular com aumento da produção de energia e da termogênese. Esse hipermetabolismo desajustado leva a uma série de manifestações clínicas que variam de leves a graves de acordo com o grau de disfunção tireoidiana. Em pacientes com hipertireoidismo acentuado e sem tratamento adequado, as alterações orgânicas podem evoluir para doenças cardiovasculares.

Sinais e sintomas do hipertireoidismo

· Pele quente e mãos úmidas
· Emagrecimento acentuado sem a perda de apetite
· Suor excessivo
· Dificuldade de dormir
· Aceleração dos batimentos cardíacos
· Intestino solto
· Agitação, tremor e nervosismo
· Fadiga
· Queda de cabelos
· Intolerância ao calor
· Alterações no ciclo menstrual
· Exoftalmia caracterizada pela proptose do globo ocular

A avaliação dos pacientes com suspeita de hipertireoidismo se baseia principalmente na dosagem do valor do TSH, que pode estar baixo ou indetectável. Níveis elevados do T3, T4 ou do T4 Livre confirmam o diagnóstico. Os auto-anticorpos contra a tireoide como o Anti -TPO e TRAb geralmente estão presentes.

O tratamento do hipertireoidismo deve ser individualizado e varia para cada caso. Existem três boas opções: medicamentoso com as drogas metimazol e propiltiuracil, tratamento com iodo radioativo e, para casos específicos, retirada cirúrgica da glândula tireoide. Em qualquer uma dessas opções terapêuticas, o paciente deverá ter acompanhamento periódico ao longo da vida.

TIREOIDITE

Tireoidite é caracterizada pela presença de reação inflamatória da glândula tireoide. Pode ser causada mais comumente pela ação de auto-anticorpos, mas também por infecção viral ou até bacteriana da glândula. Pode ser aguda ou crônica e levar a variável grau de alteração da função tireoidiana. Existem, portanto, vários tipos de tireoidites, sendo a mais comum a tireoidite de Hashimoto. Esta acomete, de acordo com vários estudos, em torno de 5 a 15% das mulheres e de 1 a 5% dos homens. É a causa mais comum de hipotireoidismo.

TireoideO diagnóstico é realizado pela dosagem de anticorpos antitireoidianos, sendo o anticorpo antiperoxidase (TPO) positivo, o mais comum. O anticorpo antimicrossomal, um outro marcador, também pode estar aumentado. A maior parte dos pacientes com tireoidite apresenta função da tireoide normal, por isso, não precisam usar nenhum medicamento. Parte dos pacientes pode desenvolver hipotireoidismo subclínico, onde se analisa individualmente a necessidade de tratamento. Em 5 a 10% dos casos de pacientes portadores de tireoidite, há hipotireoidismo franco, com necessidade de tratamento. Pacientes portadores de tireoidite de Hashimoto, mas com a função tireoidiana normal, podem, em algum momento, evoluir para o hipotireoidismo, portanto, também necessitam de acompanhamento periódico.

NÓDULO DE TIREÓIDE

O nódulo de tireoide é frequente. De acordo com vários estudos, sua prevalência é de 5 a 10% da população acima de 40 anos, principalmente mulheres. Pode ser único ou em número e tamanhos variados. A principal preocupação com o diagnóstico e avaliação de pacientes com nódulo de tireoide é a possibilidade de ser um carcinoma (câncer). Apesar dos nódulos de tireoide serem comuns, os carcinomas são relativamente raros.

Pela palpação da glândula, é difícil diferenciar um nódulo benigno de um nódulo maligno, porém, existem algumas características que aumentam o risco de malignidade como: nódulos em crianças ou adultos jovens, nódulos em homens. Deve-se também suspeitar de câncer, frente a um nódulo solitário, duro, claramente diferente do restante da glândula, com história de crescimento rápido. Somado a isso, história de rouquidão e linfonodos cervicais aumentados e firmes, também falam a favor de malignidade.

O método mais utilizado para o diagnóstico e avaliação é a ultrassonografia de tireoide, útil para determinar e acompanhar o tamanho do nódulo e suas características. Pacientes que apresentam nódulos suspeitos devem ser encaminhados para a realização de punção aspirativa com agulha fina (PAAF). A partir do resultado da PAAF, associado à avaliação das características ultrassonográficas, será decidido sobre a conduta terapêutica a ser adotada.

Se o nódulo for maligno, o paciente deverá ser submetido à tireoidectomia. Se o laudo da punção do nódulo tireoidiano for benigno, o paciente deverá ser acompanhado periodicamente com ultrassonografia de tireoide, pois suas características podem se modificar ao longo do tempo. Ocasionalmente, o laudo da punção da tireoide, não exclui completamente a possibilidade de malignidade, sendo necessário muitas vezes, a tireoidectomia, para confirmação diagnóstica.

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